Texto criado em 03 de julho de 2000. Gostaria que analizassem o texto e digam o que acharem sobre o teor textual.
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Ontem passei desapercebido por sobre um cadáver. Era negro como a noite, tão negro que via-se o reflexo da lua em seu semblante fúnebre. Pus-me a pensar sobre a sua juventude e o que supostamente poderia ter acontecido para que chegasse àquela situação; porque alguém lhe faria mal?! Não me parecia ser ruim; senti algo de bom estando perto dele, mesmo naquele momento ainda sentia uma ponta de vida que poderia reverter toda aquela situação.
Senti-me em parte culpado pelo acontecido e também culpei à todos os presentes e ausentes que poderiam ter feito algo para que isso não acontecesse. Entrei em guerra com a minha própria consciência. Ele deveria ter dado muita alegria às pessoas quando em vida, muitos cresceram à sua volta e desfrutaram de sua energia, pensei...
Senti o ônibus batendo no quebra-molas da ponte e voltei à realidade: O rio ficou para trás.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
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ResponderExcluirGrande amigo e parceiro... eu não sei se o objetivo do texto/poema seria o de demonstrar o quanto podemos nos tornar insensíveis ao fator morte e o quanto a cidade do Rio de Janeiro nos oferece em periculosidade, tanto que um texto escrito em 2000 ainda é atual em 2013, mas é assim que o vi, li e senti... e gostei quando num ato de pura esperança você ainda quis dar vida ao pobre cadáver... e o desfecho é poético e misteriosamente dramático, sinal que ainda há a tal sensibilidade para aqueles que morrem de forma grosseira... se é que a morte em algum momento tenha a sua suavidade. Abraços e parabéns pela iniciativa... é certo que ganhei mais um espaço para eu me deleitar com a boa escrita.
ResponderExcluirDo seu sempre irmão
Murillo diMattos.
Obrigado pelo comentário. Na realidade esse texto veio para mim de uma forma muito rápida e integral. Foi quando eu estava sobre a ponte do Rio Sarapuí (totalmente poluído), na altura do bairro de Gramacho, em Duque de Caxias, e como de costume fiquei entristecido, como fico com situações desse tipo, e aconteceu uma contextualização imediata do descaso humano. Esse texto dá vazão para várias interpretações, mas a que eu particularmente destinei a ele, é a situação nua e crua do descaso da humanidade em relação à sua casa. O cadáver era o próprio rio (por isso eu coloquei em minúsculo no fim do texo). Se colocasse "Rio", poderia dar a entender a cidade do Rio de Janeiro, e aí, mudaria-se todo o sentido, levando para a realidade da violência urbana. Mas ele está aberto à todas as interpretações possíveis. Eu me lembrei do início do livro de Exupery ( O Pequeno Príncipe), quando ele ainda criança, tentava puxar da "imaginação" dos adultos uma compreensão para seus desenhos que casasse com a sua. Eu fiz o mesmo: perguntei às pessoas o que elas achavam desse texto, o que elas haviam compreendido, segundo seu próprio entendimento. Mas a palavra rio em minúsculo é um diferencial (tipo pegadinha) para levar ao rumo em que o autor do texto queria. O seu comentário faz-me crescer realmente mais um pouco, como ser humano e "escritor" (rsrsr). Cara, valeu mesmo!
ExcluirCorrigindo: minúsculo no fim do texto
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